A visão espírita sobre o suicídio – Setembro Amarelo
A depressão, traumas emocionais e a ideia materialista de que tudo se acaba com a morte, estão entre as problemáticas que levam ao pensamento suicida.

Seguindo os ensinamentos de Allan Kardec, a Doutrina Espírita vê o suicídio como uma triste ilusão, gerando consequências espirituais ao suicida, que viola as Leis Divinas. Para o Espiritismo, todos somos seres imortais, e a vida continua após a morte do corpo físico.
Os comportamentos suicidas fazem parte de um processo complexo, que pode variar desde a ideia de tirar a própria vida, até o planejamento, tentativa e, no pior dos casos, a consumação do ato.
Segundo Kardec, a calma e a resignação adquiridas na maneira de considerar a vida terrestre e a confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. A religião também pode ser vista como um fator importante e até mesmo protetor. Por meio da Doutrina, a esperança do indivíduo é renovada, tornando-o mais forte.
Setembro Amarelo
A história por trás da data e a escolha da cor amarela
A campanha de conscientização Yellow Ribbon (Laço Amarelo) sobre a prevenção do suicídio começou nos EUA, quando Mike Emme, de 17 anos, tirou sua própria vida. O jovem era brilhante e extremamente habilidoso. Conhecido como Mustang Mike, ele restaurou completamente um Ford Mustang 1968, pintando-o da cor amarela.
Sua família e amigos perceberam que Mike lidava com problemas psicológicos tarde demais. Seu corpo foi encontrado dentro do carro no dia 8 de setembro de 1994, ao lado de um bilhete: “Mãe, pai, não se culpem, eu amo vocês. Com amor, Mike”.
No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem: Se você precisar, peça ajuda. No final da cerimônia, todos os cartões haviam sido levados.
Quais os sinais de alerta?
- Falas recorrentes sobre morte e a necessidade constante de “desaparecer”
- Expressões frequentes de desesperança, tristeza profunda ou sensação de inutilidade
- Mudança repentina de comportamento, com o isolamento social
- Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas
- Alteração nos padrões de sono e/ou alimentação
- Piora do desempenho na escola ou no trabalho
Centro de Valorização da Vida
Fundado em 1962, o CVV pode ser acessado pelo telefone 188 gratuitamente ou por meio de postos presenciais. A escuta é sigilosa e anônima.
Nestes canais, são feitos mais de 2,7 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 3.300 voluntários, presentes em 20 estados, além do Distrito Federal.
Além dos atendimentos, o CVV desenvolve outras atividades nacionais relacionadas à prevenção do suicídio, com ações abertas à comunidade.
Dados nacionais
Segundo estudo da Unicamp, 17% dos brasileiros já pensaram em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a quarta causa de morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal.
As taxas variam entre países, regiões e sexo. No Brasil, a cada 100 mil homens, 12,6% cometem suicídio, no caso das mulheres, 5,4%. As taxas entre os homens são geralmente mais altas em países de alta renda (16,6% por 100 mil). Para as mulheres, as taxas de suicídio mais altas são encontradas em países de baixa-média renda (7,1% por 100 mil).
O significado do Setembro Amarelo na Doutrina Espírita
No Espiritismo, o Setembro Amarelo é visto como uma oportunidade para valorizar a vida através da fé, relembrando também sobre a importância do acolhimento das pessoas em sofrimento.
A Doutrina oferece suporte para lidar com o sofrimento mental e emocional, desmistificando a morte como o fim da vida e focando na esperança e na ação do bem.
Em 2025, a Federação Espírita Brasileira criou a campanha nacional “Prefiro Viver” — um projeto contínuo, com ações de prevenção. 👇
🌻 Auxílio aos trabalhadores espíritas na identificação e acolhimento de pessoas com pesamentos suicidas e seus familiares, que buscam apoio no Centro Espírita.
🌻 Incentivo a busca de ajuda junto aos serviços estruturados de prevenção, como os Centros de Atenção Psicossociais (CAPs), Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), entre outros.
“Os motivos de suicídio são de ordem passageira e humana; a razões para viver são de ordem eterna e sobre-humana.”