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A viagem

Folha Espírita – janeiro de 1976

Reportagem de Marlene Rossi S. Nobre

Ivani Ribeiro mostra em sua telenovela os mistérios da vida e da “morte”. Alguns personagens, agora, vão trabalhar do “lado de lá”.

Desejávamos as explicações de Ivani Ribeiro para o esclarecimento de milhares de leitores, ansiosos em saber quais as razões da mudança, uma vez que todos aguardavam com grande expectativa a novela baseada no livro E a vida continua…

A viagem – seriado que a TV Tupi, canal 4, de São Paulo, está levando para todo o Brasil, às 19h45, e que tem em seu elenco artistas consagrados como Eva Wilma, Altair Lima, Tony Ramos, Rolando Boldrin, Francisco Di Franco e tantos outros – tem toda a temática espírita, mas não é a transposição para o vídeo do mencionado romance recebido por Chico Xavier. A própria Ivani Ribeiro, com sua voz de timbre inconfundível e sua natural simpatia, conta todos os percalços que antecederam a realização de A viagem.

“Há mais ou menos 20 anos, creio e professo a Doutrina Espírita, e há 15 conheço Chico Xavier, tendo lido grande parte de seus livros. Sempre manifestei ao Chico a minha vontade de levar suas obras para a televisão. Em especial, dediquei-me à adaptação do livro E a vida continua…, tendo-a pronta há mais de 2 anos, mas tive de vencer inúmeros obstáculos para conseguir meu objetivo.”

Chico Xavier desejava a novela

“Há dois anos, quando levei a sinopse para o Orlando Negrão, na Tupi, ele argumentou que não poderia me atender, porque o horário estava com Ibope muito baixo. Era preciso trabalhar mais para solidificá-lo. Foi quando lancei Mulheres de areia, que, graças a Deus, foi um grande sucesso, e, logo depois, Os inocentes, o que permitiu a consolidação definitiva do horário. Finalmente, fiquei liberada para levar E a vida continua… Foi aí que tive de enfrentar um obstáculo intransponível. Fomos ao Chico Xavier, Carlos Zara e eu, com a sinopse do livro, que ele já conhecia em parte, pois já havíamos mostrado a ele em outra oportunidade.”

“Soubemos, então, que os direitos autorais estavam com a Federação Espírita Brasileira (FEB). Chico nos deu uma carta muito linda de apresentação ao presidente da FEB, dizendo que se a ele, Chico, fosse dado optar ele não tinha dúvida: decidir-se-ia pela novela. Zara foi ao Rio. O presidente recebeu-o muito bem, mas, infelizmente, ele não podia fazer nada por nós, porque a Federação Espírita já havia cedido os direitos autorais para a realização de um filme baseado no mesmo livro. Você pode imaginar” – conclui Ivani – “a nossa decepção.”

Conheça os segredos de A viagem

Assessoria competente e criteriosa

“Não havia outra alternativa senão partir para um original. A viagem é de minha autoria. Todos os dias, antes de escrever os capítulos, leio O Evangelho segundo o Espiritismo, e tudo se desenrola com facilidade. Para não fugir à verdade espírita, buscamos a assessoria de um estudioso e grande conhecedor do Espiritismo, o professor Herculano Pires. Temos uma reunião semanal com ele e posso lhe dizer que as falas de um dos personagens – o médico –, interpretado por Rolando Boldrin, quando relacionadas com a Doutrina Espírita, são todas de autoria do professor, uma indiscutível autoridade no assunto.”

O outro lado da vida

Pergunto a Ivani como será o andamento da novela, porque o público, a cada dia, está mais empolgado com A viagem.

“Ah, agora em janeiro, vamos ver o ‘outro lado da vida’. Vários personagens que morreram ou que fizeram a ‘viagem’ vão aparecer no mundo espiritual e outros, como o mentor, interpretado por Cláudio Correia e Castro, vão se tornar conhecidos do público. Alexandre, o irmão da Diná, é o obsessor que leva a intranquilidade a várias pessoas. Diná, César, Jordão e alguns Espíritos mais evoluídos vão procurar demovê-lo de seus propósitos de vingança.”

Despedimo-nos de Ivani Ribeiro, agradecendo-lhe o trabalho pioneiro. Sem dúvida, essa grande novelista passará à história da televisão brasileira com esse seriado de temática espírita, o primeiro a ser realizado em rede para todo o Brasil. Lembra-nos de Wanda Marlene dos Santos, que enfrentou tantas dificuldades, mas conseguiu levar Há dois mil anos (Lívia) e 50 anos depois pela TV Itacolomi, em Belo Horizonte.

Duas mulheres, vitória dupla do feminismo no seu sentido mais legítimo. A televisão comemora condignamente os seus 25 anos. Ivani Ribeiro ensina-lhe a linguagem mais condizente com o nosso século. Esperamos, sinceramente, que os frutos se multipliquem.

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