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Papo sério! Você usa as redes sociais ou está sendo usado por elas?

Se alguém lhe perguntar quanto tempo você passa nas redes sociais, é bem provável que saiba responder com precisão. Mas e se a pergunta fosse sobre o que acontece dentro de você enquanto navega? A verdade é que as redes sociais deixaram de ser apenas uma ferramenta ou um simples aplicativo que a gente abre para passar o tempo. Elas viraram o nosso novo bairro, o espaço onde a convivência acontece, onde rimos, nos irritamos, comparamos nossas vidas e construímos parte de quem somos. É um lugar onde, de fato, a gente habita.

O problema é que o nosso cérebro e o nosso coração não foram preparados para a velocidade frenética desse ambiente. Ao abrir o celular logo cedo, você é bombardeado com opiniões, notícias e recortes de vidas alheias que chegam misturados. De repente, você está bem, mas um post gera uma pontada de inveja ou até mesmo ódio. Logo depois, um comentário o deixa irritado; mais à frente, uma notícia o entristece. Sem perceber, você está vivendo emoções que nem nasceram em você: são reflexos do que você consumiu, mas que agora pesam dentro do seu peito.

Muitas vezes, a gente se sente exausto, mas não sabe o porquê. Não é frescura. É o efeito de viver num lugar que exige reação constante, mas que, na maioria das vezes, nos priva do olhar, do tom de voz e da presença real. Nas redes, o que poderia ser uma conversa leve se transforma rapidamente em discussão, e a troca de ideias vira confronto, por falta de diálogo e tempo. O excesso de estímulos gera uma sobrecarga mental que, a longo prazo, cobra um preço alto em forma de ansiedade.

Diante disso, aprender a filtrar o que chega até nós é uma das habilidades mais importantes do nosso tempo. Nem toda opinião merece sua energia, nem toda discussão exige a sua resposta e, certamente, nem todo conteúdo precisa ocupar espaço na sua mente. Reconhecer que você não precisa estar disponível para tudo, o tempo todo, é um sinal de maturidade.

Dar um tempo não significa sumir do mundo ou deixar de ser sociável. Pelo contrário, é uma escolha inteligente para conseguir respirar, pensar com clareza e voltar para si mesmo.

En La pensée et la vie, Emmanuel ensina que nossos pensamentos têm força real e influenciam tudo ao nosso redor. A vida é regida pela Lei da Afinidade, pela qual atraímos pensamentos e energias semelhantes aos nossos, formando uma verdadeira comunhão mental coletiva, em que somos, de certo modo, a soma de muitos. Nossos pensamentos, palavras e atitudes ampliam sua influência ao se somarem aos de outros que vibram na mesma sintonia, de modo que aquilo que cultivamos se expande e se fortalece.

Quando nos fixamos nos defeitos, na crítica e no mal, acabamos nos contaminando mentalmente e nos inclinando a comportamentos negativos. Por outro lado, é o desejo e a vontade que direcionam nossa energia e determinam as influências que atraímos. Por isso, é fundamental escolher conscientemente o bem, buscando pensar, agir e sentir com amor, compreensão e espírito de serviço, conectando-nos a correntes positivas e construindo uma vida mais equilibrada. Assim, cuidar do que a gente pensa é cuidar da nossa própria paz, e isso vale também para o mundo digital, onde tudo o que sentimos e compartilhamos ganha ainda mais alcance.

No fim das contas, as redes sociais são fantásticas quando nos aproximam e nos permitem crescer juntos. No entanto, elas não são neutras. Elas são um ambiente que pode nos fazer bem ou mal, dependendo da forma como nos posicionamos dentro dele. O desafio não é necessariamente desistir, mas aprender a navegar com consciência: participar sem se deixar levar, estar conectado sem se desconectar de quem você é. Afinal, viver bem nesse novo bairro exige, acima de tudo, lucidez.

Références

EMMANUEL (Esprit). La pensée et la vie. Psychographié par Francisco Cândido Xavier. 19. éd. Brasília, DF : FEB, 2013.

HAIDT, Jonathan. A geração ansiosa: como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.

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